Anatomia do Caule e Cascas Medicinais no Crescimento Secundário: Câmbio, Felogênio e Floema (Tratado de Farmacobotânica 2022)
As cascas medicinais representam tecidos protetores e condutores externos formados pelo câmbio vascular e pelo felogênio durante o crescimento secundário lenhoso.
Morfologia Diagnóstica & Esquema Anatômico
A Instalação dos Meristemas Secundários
Durante a diferenciação de caules e raízes de dicotiledôneas arbustivas e arbóreas, o câmbio vascular produz xilema secundário para o interior e floema secundário para a periferia. Concomitantemente, o felogênio (câmbio da casca) instala-se no córtex subepidérmico, gerando camadas concêntricas de células de súber suberificadas impermeáveis para fora e parênquima felodérmico para dentro.
Elementos Diagnósticos Microscópicos de Cascas Oficiais
Em farmacognosia, o termo 'casca' abrange todos os tecidos externos ao câmbio vascular. Na casca de *Cinchona* (quina), identificam-se fibras liberianas gigantescas de paredes extremamente espessadas e canais secretores com alcaloides antimaláricos; na cáscara-sagrada (*Rhamnus purshiana*), encontram-se grupos isolados de esclereídes pétreos associados a células contendo drusas e antraquinonas laxativas; e na canela (*Cinnamomum verum*), observa-se um anel contínuo de esclerênquima e células oleíferas.
Raios Medulares e Fibras Perivasculares
A orientação, largura (unisseriada vs multisseriada) e o percurso dos raios parenquimáticos que cruzam o floema secundário constituem critérios taxonômicos definitivos para verificar se um lote de casca medicinal sofreu adulteração com madeira desprovida de princípios ativos.
Farmacêutico-Bioquímico · Especialista em Farmacobotânica, Farmacognosia & Fitoquímica Estrutural · Publicação de 16/09/2022 às 02:10







